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segunda-feira, 10 de março de 2008

Sinceridade infantil - part.2


Enquanto tomava nota de uma ocorrência de vandalismo numa escola primária, fui interrompido por uma menina de seis anos que olhava fixamente para o meu uniforme. Perguntou-me:

- O senhor é polícia?

- Sim. - E continuei a escrever.

- A minha mãe disse-me que se alguma vez eu precisasse de ajuda eu deveria ir ter sempre com um polícia. É verdade?

- Sim.

- ... Bem - disse enquanto me estendia o pé - podia apertar-me os atacadores, por favor?!


Era o fim do meu turno e parei o meu carro em frente da esquadra. Enquanto arrumava as minhas coisas, o meu cão ladrava no banco traseiro. Pedi que se calasse e reparei que havia um menino que me fitava fixamente.

- É um cão que tem aí atrás? - Perguntou, verdadeiramente intrigado.

- Claro que sim. - Respondi.

O menino continuava a olhar para mim e para o cão. Finalmente perguntou:

- Que crime fez ele?


Numa noite de muita trovoada, a mãe estava a deitar o filho. Preparava-se para desligar a luz quando o filho lhe pede:

- Mãe , podes dormir comigo esta noite?

A mãe volta, abraça-o e diz-lhe:

- Não precisas ter medo. Além disso, a mamã tem que ir dormir na cama do papá!...

Enquanto o filho se conforma e fecha os olhos, a mãe ouve-o sussurrar:

- Tinha que ter um pai medroso!....


A mãe leva a filha de três anos pela primeira vez à Igreja. Tudo corria bem. As luzes da igreja foram apagadas e o coro começou a descer o corredor central carregando velas acesas. Com toda a Igreja em silêncio ouve-se uma voz alta e clara a cantar:

- Parabéns a você... Nesta data querida!...


Há alguns anos regressei a casa de uma das minhas viagens, eram já 2 da madrugada. Estava um temporal terrível, com relâmpagos, trovões e granizo... Quando entrei no meu quarto vi os meus dois filhos a dormirem com a minha esposa, provavelmente com medo da trovoada. Resignei-me a dormir no quarto deles. No dia seguinte falei com os meus filhos e expliquei-lhes:

- Eu percebo que tenham medo da trovoada e que queiram dormir com a mamã, mas quando eu estiver para chegar, por favor, durmam no vosso quarto. O papá não consegue dormir nas vossas camas! Semanas depois, estava eu para chegar de outra viagem, a minha esposa e os meus filhos foram esperar-me ao aeroporto. Como estavam vários aviões atrasados, havia muita gente no terminal à espera. Quando apareci no vestíbulo o meu filho viu-me e começou a correr e a gritar:

- Olá, papá! Eu tenho óptimas notícias!!!!

Eu acenei para ele, sorri e gritei de volta:

- Que boas notícias?

Ele gritou ainda com mais entusiasmo e a plenos pulmões:

- Ninguém dormiu com a mamã desta vez enquanto estiveste fora!!

E de repente todos os outros passageiros e pessoas que os aguardavam calaram-se e olharam para nós e o silêncio foi brutal


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